segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Lula faz a primeira sessão de quimioterapia hoje



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 66 anos, acordou cedo hoje para enfrentar a sua primeira batalha contra o câncer. Às 8h em ponto terá que estar no ambulatório do Centro de Oncologia, no primeiro andar do prédio anexo do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Como será implantado um cateter, o ex-presidente estará em jejum. Apesar de ter demonstrado tranquilidade durante todo o domingo, ele confessou a amigos próximos que está com medo de ter a voz comprometida por causa do câncer de três centímetros na laringe, descoberto no sábado.


O tratamento será comandado pelo médico Artur Katz, um dos oncologistas mais respeitados do país. Assim que Lula chegar ao ambulatório, ele receberá uma anestesia local e fará uma minicirurgia para implantação um cateter conhecido no meio médico como port-a-cath. A peça será injetada por baixo da pele na região do tórax. Se sentir dores mesmo com a anestesia, Lula será sedado na veia. Esse procedimento foi o mesmo usado quando o ator Reynaldo Gianecchini e a presidente Dilma Rousseff estiveram no mesmo ambulatório. “Ele já está ciente de como será o tratamento e está bem tranquilo. Esse estado de espírito será fundamental para o tratamento”, disse o médico particular de Lula, Roberto Kalil Filho, que fez uma visita ontem à tarde ao paciente.



Já com o cateter ligado a uma veia profunda, Lula receberá a primeira dose de quimioterapia. No total, serão injetados hoje três medicamentos que agirão em conjunto para atacar as células cancerígenas. Se sentir dores, os médicos administrarão analgésicos. “Pelo protocolo padrão, serão aplicados primeiramente por duas horas doses dos medicamentos Cisplatina e Docetaxel. Em seguida, será injetado por cinco horas ininterruptas um terceiro medicamento chamado Fluoracil”, explica o oncologista Rodrigo Guedes.


Como a aplicação do terceiro medicamento tem duração longa, Lula poderá ir para casa com uma bomba injetora ligada ao cateter. No entanto, os médicos vão propor a ele que fique internado no hospital para que a administração dessa droga seja acompanhada de perto pela equipe do Centro de Oncologia. Em duas semanas, Lula começará a enfrentar queda de cabelo.



Palanques 
O ex-presidente passou o domingo em casa com a esposa, filhos e netos. Por orientações médicas, não recebeu visitas para preservar a voz e falou pouco até mesmo ao telefone. Para todos os médicos com quem conversa, Lula pergunta preocupado se poderá fazer discursos em palanques. A resposta vaga do tipo “esperamos que sim” e “é possível que você leve uma vida normal” deixa o petista angustiado. Ontem, ele aproveitou a visita do seu médico particular para fazer uma sabatina. “Claro que ele está assustado, pois é um ser humano”, ponderou Kalil Filho. Ao notar que alguns fotógrafos estavam usando sacadas de prédios vizinhos para tentar fazer imagens do interior do seu apartamento, Lula foi até a janela com um bebê no colo e fechou a cortina.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mandou ontem um comunicado pela chancelaria do seu país manifestando apoio e solidariedade ao ex-presidente. "Em nome de todo o povo venezuelano e com a experiência que vivi ao enfrentar uma situação parecida, quero expressar, com a irmandade que nos une ao companheiro Lula, meu profundo desejo de que o tratamento ao qual será submetido nas próximas semanas permita a sua pronta recuperação", diz trecho do comunicado.

Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

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